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Livraria Central de Gomes de Carvalho editor, Lisboa, 1901. In-8º de 29-(1) págs. Brochado com raro foxing.
PRIMEIRA EDIÇÃO autógrafa pelo punho de Raúl Brandão. Como se sabe, são muito raros os manuscritos e autógrafos de Raúl Brandão.
Segundo António Amaro das Neves (in Memórias de Araduca), neste título Raul Brandão " ... atribui ao território um carácter simbólico que se reparte por três espaços físicos e metafóricos: o campo, lugar da “vida recolhida e severa pelo contacto com as coisas simples e imensas da natureza”, que se despreza e despovoa; a vila, “onde se intriga”; a cidade, “onde se goza” ..."
Opúsculo de teor parenético onde a dado passo podemos ler: "A época é de tragédia. O que domina é o oiro". Este apelo a uma nova espiritualidade, onde não poupa a Igreja Católica, pretenderia redimir o mundo então dominado por um hedonismo predador, revalorizando a vertente sacrificial de pendor sacralizante que havia sido um alicerce fundamental de toda a arquitetura social. De outro modo, o “darwinismo social” e o hegemonismo do “Deus-Milhão” só poderiam conduzir vertiginosamente a um Apocalipse sem Deus ou a um demonismo carnavalesco, pelo que só uma postura neo-franciscana, com evidentes ecos do evangelismo socializante de Tolstoi, poderia constituir aí um contraponto de salvação: "O futuro é daqueles a quem o heroísmo da pobreza atrai".