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Pierre Jean Oswald, Paris, 1958. In-8º de 106-(4) págs. Brochado. Capas com insignificantes pico de humidade. Miolo impecável e ante-rosto com rúbrica de posse de poeta conimbricense da geração de 60.
Importante título publicado que marcou o nascimento moderno das literaturas africanas lusófonas, reunindo voz anticolonial e o movimento da negritude. Obra publicada na sequência, pouco tempo depois, em 1953, do angolano Mário de Andrade (1928-1990) em colaboração com Francisco Tenreiro, ter dado à estampa, em Lisboa, o caderno Poesia Negra de Expressão Portuguesa, uma antologia de textos de novos intelectuais africanos cujo próprio nome era uma provocação: a africanidade implicava a desestruturação da portugalidade, o que, numa época de ditadura, era no mínimo arriscado fazer, através duma busca de uma nova consciência africana.
Da maior importância literária e de difícil aparecimento no mercado.
Considerado um dos mais importantes ensaístas angolanos do século XX e tendo sido o primeiro africano de língua portuguesa a elaborar textos críticos e estético-doutrinários sobre a poesia africana lusófona, o Ministério da Cultura de Angola decidiu criar o Prémio de Ensaio Literário Mário Pinto de Andrade.
MÁRIO PINTO DE ANDRADE (1928 - 1990)
Ensaísta e ativista político angolano, Mário Coelho Pinto de Andrade nasceu a 21 de agosto de 1928, no Golungo Alto (Angola). Em 1930 foi para Luanda, onde fez os estudos primários no Seminário de Luanda e concluiu, em 1948, os estudos secundários no Colégio das Beiras. Partiu para Lisboa, nesse mesmo ano, para estudar Filologia Clássica na Faculdade de Letras de Lisboa. Juntamente com outros estudantes e intelectuais de países africanos lusófonos, como Agostinho Neto, Amílcar Cabral e Francisco José Tenreiro, criou o Centro de Estudos Africanos, em 1951, com o objetivo de refletir sobre problemáticas importantes de África. Em 1954, António de Andrade partiu para o exílio em Paris, onde conheceu outros círculos africanos, relacionando-se com Leopold Senghor, Nélson Mandela, entre outros. Foi chefe de redação, entre 1951 e 1958, da conceituada revista Présence Africaine e, em 1956, participou no 1.º Congresso de Escritores e Artistas Negros, tendo, três anos mais tarde, tomado parte no 2.º Congresso, em Roma. Na década de 60, tornou-se ativista político e exerceu o cargo de Presidente do MPLA, entre 1959 e 1962 e o de Secretário-Geral desse movimento, entre 1962 e 1972.
Dedicou-se, no entanto, aos estudos de sociologia e à atividade de diversas publicações antológicas e de obras literárias.